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segunda-feira, 5 de abril de 2010

Chuvas de abril



Chuvas de abril
Corta o outono de galhos secos
E o toma em ar primaveril
Flores abrem um sorriso de menina
Como se debochassem do efeito estufa.
Folhas secas alegram-se
Ao rolar no chão com a água
Lembrando bricadeiras de verão
Ah chuvas de abril,
Agora quer viver um amor de inverno,
Já que as paíxões de verão se vão,
Deixando sempre lembranças
Desbotadas que secam o coração

Rita Encinas

quarta-feira, 24 de março de 2010

Tempo simples



Adeus marcadores de tempo,
Desnecessário contá-lo.
O que importa a duração de um beijo
Se a lembrança do último
Me faz voltar no tempo?
Se as marcas de meu batom
Estão contigo a todo momento?
Deixo os ponteiros de lado,
O meu tempo é contado
Apenas taquicardicamente
Em um compasso ardente,
Onde estás sempre presente
E de tanto perceber-te
Enxergo tua face oculta
E o teu vulto se encaixa ao meu
Em um abraço eterno!

Rita Encinas

domingo, 21 de março de 2010

O meu, teu azul


Hoje eu quero todo o azul
do céu e do mar
e assim me visto pra te encontrar
me leve pra passear
entre turquesas e safiras
faça-me levitar
só peço que não me fira
com o cobalto do teu olhar
que vorazmente cobiça
todo o desejo do meu luar
o rubor da tua face
se junta a calmaria do meu silêncio
e ametistas surgem
em um rio de águas-marinhas
e teu corpo no meu se aninha
e o marinho dos teus pensamentos
não me deixam parar de sonhar

Rita Encinas

domingo, 14 de março de 2010

Ser poeta




          O poeta é um sonhador, tanto viaja que alcança o céu, liberta-se do casulo da realidade e flutua entre os mais íntimos de seus segredos. As suas verdades? Ninguém conhece, ele deixa por conta de quem os lê. Sempre almeja o belo, constrói seus castelos, não importando-se que sejam de areia, desliza sobre ela e mergulha  em histórias sem fim, porque para ele tudo é recomeço.
          Eu não sou poeta, apenas sonho!

Rita Encinas

segunda-feira, 8 de março de 2010

Aquela mulher

          Aquela mulher que se vê ao longe, na qual todos param para contemplar, não foi sempre assim, irradiante, cheia de vida e cor, que emana uma luz que de tão intensa faz brilhar os olhos de
quem a vê. Ah, aqueles olhos dizem tanta coisa e ao mesmo tempo, difíceis de decifrá-los, muitos tentaram, mas só um conseguiu.
           Um dia, andando de um lado para outro, muito ansiosa, confusa e com os pensamentos deveras desarrumados, esperava por ele, certa que a compreenderia e desfaria toda aquela inquietação. Os ponteiros brigavam entre si insistindo para que o tempo não seguisse adiante.
            O barulho da porta anunciava o fim de todo aquele tormento, então dirigiu-se até ela e o encontrou. Nesse instante lançou-o o olhar mais penetrante, carente e cativante, certa de que ele compreenderia tudo o que sentira sem que fosse preciso dizer uma única palavra, trazendo o alívio que tanto necessitara. Ele com um olhar cansado e displiscente perguntou-lhe o que queria, por quê estava olhando pra ele daquele jeito. Imediatamente o olhar daquela mulher tranfosrmou-se. Uma mistura de fúria, decepção e desalento deu lugar ao olhar, que para ela era o mais claro e óbvio possível. Sem dizer nada, trancou-se no quarto e toda dor que sentia jorrou pelos olhos, sem sobrar nenhuma gota de sal.
           Demorou alguns anos para aquela mulher sentir que ela bastava-se, que seu amor próprio tinha prioridade e quem compreendesse o que levava no olhar seria merecedor dele!

Rita Encinas

terça-feira, 2 de fevereiro de 2010

Flores na janela


 


Tenho um amor secreto,
Que está bem guardado
Entre as páginas de um livro
Que me fita da estante,
É a musica incessante
Que me faz viajar
E não querer mais voltar,
É a taça brilhante
Onde comporta um raro licor
Que mata minha sede
E furta a marca do meu batom.
É a fruta mais doce
E ao mesmo tempo picante,
Que saboreio lentamente
Pra sentir toda sua essência,
Guardando cada uma de suas sementes.
É um adormecer tranquilo
Onde o sonho se torna realidade
Em que eu encontro minha verdade
Minha razão para viver.
Me faço então, chover em teu jardim,
Acordando beija-flores
Regando todas as tuas flores
As mesmas que todos os dias
Na janela, colocas para mim!

Rita Encinas

quarta-feira, 20 de janeiro de 2010

Ah... que saudades de mim...




Ah... que saudades de mim...
Quando não te sinto por perto
Tudo torna-se um deserto sem fim
Ah... que saudades de mim...
Quero minha metade que está em ti
O calor do abraço que emana
Toda vez que tu me chamas,
Pesco no ar os teus pensamentos
Quando lembras de mim naqueles momentos
Que de tão nossos só pertence à Lua
Que reclama em não nos ver em só "um"
Certa que de não há outra verdade:
Eu não vivo sem ti
E tu morres por mim!
Ah... que saudades de mim

Rita Encinas

domingo, 3 de janeiro de 2010

A beira de...



Ando assim,
sem eira nem beira,
a beira de um precipício
prestes a voar, voar e voar
e chegar em teu céu
lhe tirar o véu
que esconde teu sorriso
onde guardas todas as cores do íris
e te roubar um beijo
e enfim me iluminar!

Rita Encinas

domingo, 22 de novembro de 2009

Silêncio!!!




Silêncio!!!
Apague a luz, feche a porta!
Preciso dessa solidão
É preciosa demais para mim
Quero me perceber melhor
Descobrir por quê meu olhar
Anda tão perdido de mim
Por quê meus pensamentos
Já não são tão meus…
Minhas emoções insistem
Em ocupar o lugar da razão
A razão de viver não estaria
Na casa da emoção
Entre quatro paredes?
Começo a pensar que sim...
Vou começar a arrumar a casa
Deixá-la bem aconchegante
Pois quem eu esperava
Devagar vem chegando
Não quero mais adiar
Sei que a vida ainda
Me reserva muitas surpresas

Rita Encinas

quarta-feira, 4 de novembro de 2009

Poesia para Juliana






Juliana
Como toda boa escorpiana,
É ciumenta, mas isso é um alento,
De quem ama não descuida
Em nenhum momento.
Muitas vezes também é briguenta
Retruca, cutuca, indaga
Não fica sem resposta para nada.
Mergulha dentro de si e retorna,
Com sua estonteante ternura
Que encanta e apaixona
Outros tantos loucos
Que fazem de seus sonhos
A mais linda melodia,
Que apenas os anjos
São capazes de interpretar!

Rita Encinas

domingo, 25 de outubro de 2009

Aparências





Nem tudo transparece
O que parece pouco, transborda
O que parece muito não basta.
Muitos sorrisos não te alegram
Mas poucas lágrimas te comovem
Muita saudade não te faz ouvir
Bastaria apenas um grito.
Trocaria mil poemas
Por um único verso
Calado por um beijo.
Sentir muito de nada vale
Já é tarde, o tempo não volta.
As lembranças flutuam no espaço,
Muita peças de um quebra-cabeça
Seriam preciso para devolver
Muitos pedaços de mim
Que ficaram naquele abraço.
E por te amar com tão pouca lucidez
Que esperarei por ti em sonho
Para sorrir e chorar tudo outra vez!

Rita Encinas

terça-feira, 20 de outubro de 2009

Vermelho



Sou vermelho
Como o sangue que pulsa
Trazendo emoções à vida
Como a roupa da criança
Que chega ao mundo
Como o mar que se abriu
Em um momento de glória
Como o fruto proibido
Que incita ao pecado
Como o ocaso, que precede a noite
Trazendo consigo desejos
Como a rosa que fere
Com seus espinhos ingênuos
Como os lábios da amante
Que clama por beijos ardentes
Que provoca com seu vestido,
E com suas unhas rasgam
O cetim, cúmplice de seus segredos!
Vermelho…

Rita Encinas

quinta-feira, 15 de outubro de 2009

Eternos momentos




Há momentos que se eternizam...
Troca de olhares
Sem pressa
Decifrando cada instante
Toques que falam por si
Descobrindo cada uma
Das fases ainda não conhecidas
Sons, silêncios e tremores
Percebidos somente por dois
Que fazem desse momento
Um estado de espírito
Um lugar nunca antes habitado
Vozes entrelaçadas
Em suspiros trocados
Nesse instante há só
Um doce intruso
Que junta-se aos dois
Como se fizesse parte deles
Um puro e límpido
Som que se faz melodia
Ao acariciar a janela...
Água da chuva!

Rita Encinas

terça-feira, 13 de outubro de 2009

Enfim, o encontro




O tempo, ah o tempo!
Me lembro bem
Eu ainda era menina
E já sonhava contigo.
Sabia de cor tuas melodias
Entendia perfeitamente cada gesto
Conhecia cada linha de teu rosto
Tua voz suave que embalava meu sono
Era a mesma, só que grave
Quando pedía minha atenção
Dizendo: Por aí não!
Às vezes eu fingia não entender
Porque o perigo sempre me atraíu
E sempre quis conhecê-lo
E tu, sabendo disso,
Também fingias não ver,
Achavas graça em cada erro meu
E deliravas em me ver amadurecer
Em cada deslize sentia-me mais perto
Eu sabia que precisava disso tudo
Superar amargas experiências
Chorar primero, para depoís sorrir
Trilhar por caminhos tortuosos
Experimentar a dor e conhecer seu sabor
Pois só assim, ao encontrarmos enfim
Teríamos a certeza
De que fomos feitos um para o outro!

Rita Encinas

segunda-feira, 12 de outubro de 2009

Encanto das flores


Hoje quero ser somente
o encanto das flores
que enfeitam
os cabelos da menina,
Sem pensar
que o amanhã
chegará.

Rita Encinas

quinta-feira, 8 de outubro de 2009

Poesia em outra dimensão




Encontro-me em outra dimensão
Onde amar e ser amada
Não é fantasia, e sim magia,
Simplesmente acontece
Toda vez que amanhece,
A brisa tras o perfume das rosas
Em forma de versos,
O sol e a lua
Ficam a toda prosa,
Cada onda do mar
Chega até a areia
Deslizando lindos poemas
A tempestade de rimas
É anunciada por sonoras trovas
A chuva cai em forma de letras...
Surgem palavras como zumbidos
Que só podem ser decifradas
Se sussurradas ao pé do ouvido

Rita Encinas

Aquavalo



Ah, quem dera eu ser
Uma pantera
Com olhos de lince
E a astúcia de uma serpente!
Sou apenas uma aquariana
Intuitiva e sagaz
Com a impulsividade
De um cavalo
E que acredita
No sexto sentido!

Rita Encinas

quarta-feira, 30 de setembro de 2009

Poção mágica




Sai em busca de elementos raros
Para compor uma poção mágica
Que findasse completamente
As dores causadas por esta paixão,
Deixando somente boas lembranças
Para aquecer, e não apertar o coração.
Peguei então, um quarto de lua
No momento em que ela comtemplou
Nossos corpos unidos em um único laço,
Faíscas de relâmpagos
Soltas em um beijo ardente
A cauda de um cometa
Que nos levou ao infinito,
O arco-íris, que tornou-se tenda
E misturou-se aos lençóis de seda,
O canto do colibri que se fez melodia
Com cifras marcantes de desejo,
A brisa calma da manhã
Com o inebriante aroma de dama da noite,
Uma tempestade de verão
Que levasse consigo as lágrimas de saudade,
E um raio do sol, que traduzisse o brilho do teu olhar
Para que toda vez que eu te lembrar
Eu pudesse até chorar, mas somente de emoção!

Rita Encinas

domingo, 27 de setembro de 2009

Tire-me de teus sonhos



Tire-me de teus sonhos rapaz!
Posso tornar-me teu maior pesadelo
Conheço todos os teus receios
E os caminhos do labirinto
Que alcançam tua alma.
Posso apenas com um olhar
Te partir ao meio
Arrancando de ti
Teus mais íntimos segredos.
Sou a bruxa malvada
Dos teus contos de fada,
O veneno da fruta,
O espelho quebrado,
O nariz arrebitado,
Que incita o pecado.
O cavalo negro
Que te joga ribanceira abaixo
A espada certeira do vilão
Que atinge em cheio teu peito
Calando toda tua paixão.
Tire-me de teus sonhos rapaz!
Eu sou tua "verdade"!

Rita Encinas

quarta-feira, 23 de setembro de 2009

Tim tim


Depois de minhas tempestades,
Abro-me em arco-íris
E brindo com o Sol!





Rita Encinas